quarta-feira, 25 de abril de 2007

Lotação Esgotada

O show de Rafinha Bastos "A Arte do Insulto" lotou o teatro Bruno Kiefer. Foi uma hora de humor envenenado que conseguiu tirar o ar da platléia. Rafinha não parou um minuto de questionar o cotidiano abordando assuntos polêmicos. Para quem perdeu a oportunidade "A Arte do Insulto" volta a Porto Alegre nos dias 6 e 7 de junho. Não perca. As gargalhadas são garantidas.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Ah! moleque, quanta grana

Neste domingo, dia 15 de abril, o Fantástico, da Rede Globo, exibiu imagens da operação realizada pela Polícia Federal que prendeu bicheiros, delegados, desembargadores e procuradores no Rio de Janeiro. As imagens foram feitas pela própria PF e são parte do inquérito. A divulgação destas imagens foi um serviço prestado pelo Fantástico e pela PF, e dimencionou crime.

Até aí tudo bem. O que é estranho é a Polícia Federal dar o direito de exclusividade à Rede Globo para exibição destas imagens. A operação foi realizada pela PF, com agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, para evitar que informações vazassem, ou seja, por uma instituição pública paga com o dinheiro de impostos. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato da operação ser realizada por policiais do sul do país e na gravação se escutar as carioquíssimas exclamações "Ah! Moleque" e "Caraca" feita pelos agentes no momento da descoberta de uma montanha de dinheiro atrás de uma parede falsa. Afinal de contas, haviam policias cariocas na ação ou o pessoal do sul já pegou o sotaque do Rio?

Ouvi o jornalista Ricardo Boechat, da Rádio Band News, reclamar que a Globo é sempre privilegiada por órgãos públicos na hora de divulgar imagens ou notícias de bastidores. Mas vale lembrar que no ano passado foi a Rede Bandeirantes que divulgou com exclusividade a foto do dinheiro apreendido com Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva, no hotel Ibis, em São Paulo. O dinheiro seria usado na compra de um dossiê contra o, então, candidato ao governo de SP, José Serra.

Esses favorecimentos que alguns integrantes da Polícia Federal dão a algums jornalistas deve ser visto com mais atenção pelo governo. Essas imagens não representam mérito jornalístico para quem as conseguiu. Representam uma perigosa relação entre jornalistas e pessoas ligadas ao governo. Não é competência, é Influência. Deveriam estar disponíveis para todos os veículos de Imprensa ao mesmo tempo. Seria mais honesto com o público.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Rafinha em Porto Alegre

Esse cara é meu amigo faz um bom tempo. Foi meu colega de trabalho e, como eu, desilutido com o mercado jornalístico gaúcho. Pois o Rafinha juntou as roupas e se mandou para São Paulo e se deu bem. Hoje é sucesso na TV e no teatro.

Pois o cara estará em Porto Alegre dia 24 de abril, às 21h, no Teatro Bruno Kiefer, apresentando A Arte do Insulto. Dá uma olhada num dos trechos do show e não perca a oportunidade de ver ao vivo.

Ingressos antecipados na EX Outlet, Av. Mariland 100, ou pela tele-entrega (51) 3029-1491, taxa de entrega de R$ 5,00.

terça-feira, 3 de abril de 2007

Estamos do Avesso


Hoje arrombaram meu carro. O pior é que ninguém se espanta mais com isso. Levaram o estepe (que dá um trabalho hercúleo para tirar), meus CDs de música (todos cópias), uma sandália da minha mulher (de estimação) e uma garrafa de Coca Zero. Vasculharam o carro para encontar mais coisas mas não acharam nada. Inclusive se deram ao luxo de deixar um guarda-chuva novinho e o rádio (isso mesmo deixaram o rádio).

A primeira coisa que sentimos é raiva, muita raiva, ódio, vontade de esganar alguém (o ladrão de preferência), mas aos poucos você vai se conformando até que de repende você está aliviado. Aliviado por não terem roubado seu carro inteiro. Aliviado por não ter sido abordado pelo ladrão armado. Aliviado porque invadiram seu carro é só levaram poucas coisas. Aliviado porque não aconteceu nada demais graças a Deus. Faz parte. Não sofri uma violência direta. Meu carro foi a vítima e por isso me senti aliviado. Estou reclamando do quê? Afinal de contas eu fui poupado. Pelo menos não me mataram.

Epa!!! Não posso estar aliviado. Alguém invadiu meu carro e me roubou. Será que estamos tão anestesiados pela violência que fatos como esses não causam mais perplexidade em ninguém? Perdemos nossa capacidade de indignação. Somos o passivo da relação humana. Nos acostumamos. Perdemos nossa dignidade. Esquecemos do nosso direito de reclamar do que é errado. Somos reféns e apenas aceitamos tudo aliviados.

Com certeza alguém dirá: o quê que esse cara tá reclamando, podia ser pior!!!

Não pode ser pior. Nossa realidade está invertida. Estamos do avesso.

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Collor, o Thunderbird


É fácil eleger o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Sujeito bem apanhado, de bons modos, fala grave e bem articulada, um galã canastrão, ou seja, tudo que um coordenador de campanha marqueteiro sempre sonhou. Collor é o principe encantado das urnas. Se estivesse na casa do BBB 7, Collor acabaria com o Alemão. E como é chegado numa loira, iria ser o vértice do triângulo amoroso com Fani e Siri. Pobre Alemão.
Duas semanas atrás, depois de 17 anos longe dos holofotes de Brasília, o ex-presidente voltou a tribuna agora como senador eleito por Alagoas. Collor se colocou como vitima, um perseguido das elites dominantes, jurou inocência diante de um senado silencioso e reverente durante 3 horas de discurso. Só faltou no final do pronunciamento o DJ do senado mandar o hit "Amigos Para Sempre" e todos, de mão dadas e erguidas, chorarem copiosamente. Com exceção do senador Pedro Simon que fez questão de lembrar ao ex-presidente porque ele foi caçado.
Esse é o efeito que Collor tem. Os menos avisados e os mais inocentes caem de joelhos diante de tal retórica. Mas o que mais chamou a atenção foi o visual do senador. Recauchutadíssimo, esticado, botocado e cabelo de um betume incrível. Collor está com uma pele digna de pilotar a nave dos Thunderbirds, aquele seriado da década de 60 protagonizado por bonequinhos cabeçudos. Os Thunderbirds viviam em uma ilha, numa mansão moderna, uma espécie de Casa da Dinda de 40 anos atrás, num mundo de alta tecnologia promovendo o bem. Collor se coloca como um Thunderbirth. Lutará sempre contra os injustiçados sem nenhum fio de cabelo fora do lugar. É o produto ideal da comercialização política, do engodo midiático, um exemplo de moral e ética dos anos 60. O rei do IÊ IÊ IÊ e das patricinhas.
Os ex-presidente não veio fazer número. Veio com a intenção de voltar ao trono. Nas próximas eleições, em 2010, Collor vai ser candidado a presidente. E pode apostar que vai angariar milhares de eleitores sedentos em promover o fim das "injustiças". Existem pessoas que tem pena de qualquer coisa. Se o acusarem de corrupção estarão lhe dando munição. Afinal nesse governo quem nunca roubou que atire a primeira maleta, ou cueca. Collor voltou ao seu habitat, rasteiro e daninho.