segunda-feira, 16 de abril de 2007

Ah! moleque, quanta grana

Neste domingo, dia 15 de abril, o Fantástico, da Rede Globo, exibiu imagens da operação realizada pela Polícia Federal que prendeu bicheiros, delegados, desembargadores e procuradores no Rio de Janeiro. As imagens foram feitas pela própria PF e são parte do inquérito. A divulgação destas imagens foi um serviço prestado pelo Fantástico e pela PF, e dimencionou crime.

Até aí tudo bem. O que é estranho é a Polícia Federal dar o direito de exclusividade à Rede Globo para exibição destas imagens. A operação foi realizada pela PF, com agentes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, para evitar que informações vazassem, ou seja, por uma instituição pública paga com o dinheiro de impostos. Mas o que mais me chamou a atenção foi o fato da operação ser realizada por policiais do sul do país e na gravação se escutar as carioquíssimas exclamações "Ah! Moleque" e "Caraca" feita pelos agentes no momento da descoberta de uma montanha de dinheiro atrás de uma parede falsa. Afinal de contas, haviam policias cariocas na ação ou o pessoal do sul já pegou o sotaque do Rio?

Ouvi o jornalista Ricardo Boechat, da Rádio Band News, reclamar que a Globo é sempre privilegiada por órgãos públicos na hora de divulgar imagens ou notícias de bastidores. Mas vale lembrar que no ano passado foi a Rede Bandeirantes que divulgou com exclusividade a foto do dinheiro apreendido com Gedimar Pereira Passos e Valdebran Padilha da Silva, no hotel Ibis, em São Paulo. O dinheiro seria usado na compra de um dossiê contra o, então, candidato ao governo de SP, José Serra.

Esses favorecimentos que alguns integrantes da Polícia Federal dão a algums jornalistas deve ser visto com mais atenção pelo governo. Essas imagens não representam mérito jornalístico para quem as conseguiu. Representam uma perigosa relação entre jornalistas e pessoas ligadas ao governo. Não é competência, é Influência. Deveriam estar disponíveis para todos os veículos de Imprensa ao mesmo tempo. Seria mais honesto com o público.

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