segunda-feira, 2 de abril de 2007

Collor, o Thunderbird


É fácil eleger o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Sujeito bem apanhado, de bons modos, fala grave e bem articulada, um galã canastrão, ou seja, tudo que um coordenador de campanha marqueteiro sempre sonhou. Collor é o principe encantado das urnas. Se estivesse na casa do BBB 7, Collor acabaria com o Alemão. E como é chegado numa loira, iria ser o vértice do triângulo amoroso com Fani e Siri. Pobre Alemão.
Duas semanas atrás, depois de 17 anos longe dos holofotes de Brasília, o ex-presidente voltou a tribuna agora como senador eleito por Alagoas. Collor se colocou como vitima, um perseguido das elites dominantes, jurou inocência diante de um senado silencioso e reverente durante 3 horas de discurso. Só faltou no final do pronunciamento o DJ do senado mandar o hit "Amigos Para Sempre" e todos, de mão dadas e erguidas, chorarem copiosamente. Com exceção do senador Pedro Simon que fez questão de lembrar ao ex-presidente porque ele foi caçado.
Esse é o efeito que Collor tem. Os menos avisados e os mais inocentes caem de joelhos diante de tal retórica. Mas o que mais chamou a atenção foi o visual do senador. Recauchutadíssimo, esticado, botocado e cabelo de um betume incrível. Collor está com uma pele digna de pilotar a nave dos Thunderbirds, aquele seriado da década de 60 protagonizado por bonequinhos cabeçudos. Os Thunderbirds viviam em uma ilha, numa mansão moderna, uma espécie de Casa da Dinda de 40 anos atrás, num mundo de alta tecnologia promovendo o bem. Collor se coloca como um Thunderbirth. Lutará sempre contra os injustiçados sem nenhum fio de cabelo fora do lugar. É o produto ideal da comercialização política, do engodo midiático, um exemplo de moral e ética dos anos 60. O rei do IÊ IÊ IÊ e das patricinhas.
Os ex-presidente não veio fazer número. Veio com a intenção de voltar ao trono. Nas próximas eleições, em 2010, Collor vai ser candidado a presidente. E pode apostar que vai angariar milhares de eleitores sedentos em promover o fim das "injustiças". Existem pessoas que tem pena de qualquer coisa. Se o acusarem de corrupção estarão lhe dando munição. Afinal nesse governo quem nunca roubou que atire a primeira maleta, ou cueca. Collor voltou ao seu habitat, rasteiro e daninho.

Um comentário:

Cássia disse...

Salve, Bernardo! Legal o teu blog. Está devidamente "assinado" no meu Google Reader ;-)