terça-feira, 3 de abril de 2007

Estamos do Avesso


Hoje arrombaram meu carro. O pior é que ninguém se espanta mais com isso. Levaram o estepe (que dá um trabalho hercúleo para tirar), meus CDs de música (todos cópias), uma sandália da minha mulher (de estimação) e uma garrafa de Coca Zero. Vasculharam o carro para encontar mais coisas mas não acharam nada. Inclusive se deram ao luxo de deixar um guarda-chuva novinho e o rádio (isso mesmo deixaram o rádio).

A primeira coisa que sentimos é raiva, muita raiva, ódio, vontade de esganar alguém (o ladrão de preferência), mas aos poucos você vai se conformando até que de repende você está aliviado. Aliviado por não terem roubado seu carro inteiro. Aliviado por não ter sido abordado pelo ladrão armado. Aliviado porque invadiram seu carro é só levaram poucas coisas. Aliviado porque não aconteceu nada demais graças a Deus. Faz parte. Não sofri uma violência direta. Meu carro foi a vítima e por isso me senti aliviado. Estou reclamando do quê? Afinal de contas eu fui poupado. Pelo menos não me mataram.

Epa!!! Não posso estar aliviado. Alguém invadiu meu carro e me roubou. Será que estamos tão anestesiados pela violência que fatos como esses não causam mais perplexidade em ninguém? Perdemos nossa capacidade de indignação. Somos o passivo da relação humana. Nos acostumamos. Perdemos nossa dignidade. Esquecemos do nosso direito de reclamar do que é errado. Somos reféns e apenas aceitamos tudo aliviados.

Com certeza alguém dirá: o quê que esse cara tá reclamando, podia ser pior!!!

Não pode ser pior. Nossa realidade está invertida. Estamos do avesso.

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